Reflexões: Nora Ephron: Woody Allen de saias?

Nora Ephron: Woody Allen de saias?

Assistindo a uma sequência de filmes da saudosa roteirista,produtora, escritora e cineasta americana Nora Ephron que nos deixou em 2012, vítima de uma pneumonia decorrente da leucemia, comecei a notar certos pontos comuns entre a filmografia de Ephron e a de Woody Allen.

Obviamente os dois cineastas possuem uma trajetória cinematográfica marcada por diferenças de estilos. Entre outras distinções, contudo quero aqui pontuar algumas semelhanças entre essas duas figuras do cinema que admiro. E que trabalham em seus filmes, por meio de perspectivas diferentes, com um tema comum: as relações humanas.

Em ambos cineastas vemos transparecer em suas filmografias o amor pela cidade de Nova York. A qual tornou-se uma personagem em suas histórias servindo como pano de fundo para personagens em suas fragilidades e desacertos amorosos.

Os dois eternizaram suas musas com as quais trabalharam mais de uma vez. No caso de Allen ficaram famosas suas parcerias com Mia Farrow, Diane Keaton e Scarlett Johansson.

Ephron com Meryl Streep e com a eterna mocinha romântica angelical, despojada e que aprendemos a amar a cada filme interpretada de forma singular e espontânea: Meg Ryan.

Entretanto, se Allen em seu pessimismo incorrigível frente ao mundo e a humanidade nos leva a reflexão através da pintura de nossos defeitos, delitos e hipocrisia. Nora é mais otimista e encontra na força incontrolável do destino a esperança para suas histórias, nas quais o amor é a salvação para aplacar nossa solidão cosmopolita.

Tal como Woody ela apostava em um humor inteligente. Não tão ácido como o dele, assim como na influência da cidade de NY nas relações amorosas.

Nora também trazia de suas vivências pessoais material para seus roteiros com os quais mostrava a complexidade das relações familiares e dos relacionamentos amorosos.

Suas comédias românticas marcaram meados das décadas de 80 e 90 com suas inesquecíveis e cativantes personagens femininas (Sally, Annie, Kathleen e Julie) tornando-se icônicas para o público feminino.

Assim como Allen, Nora prezava por uma direção de arte impecável e por mostrar uma NY que ao final de cada história desejamos visitar.

Seus filmes, tal como os de Allen são um passeio turístico cinematográfico pelas ruas, restaurantes, cinemas, prédios e parques nova iorquinos.

Concordem ou não. Como fã dos trabalhos destes dois cineastas geniais, guardadas as devidas distinções.

Nora era uma versão feminina e sensível de Woody e deixou um legado fílmico que atravessa o tempo e nos faz retomar a crença no amor e na impossibilidade de lutarmos contra o destino.

Quem sabe Nora tornou-se ao morrer uma estrela no céu nova iorquino e lá vive eternizada iluminando as noites de sua cidade amada. Contemplando os casais apaixonados ainda movidos pela magia da cidade representada nos seus filmes?

Quem conhecer mais sobre um pouco sobre filmografia de Nora Ephron. Confira os links abaixo:

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